Rita
Lee anda sumida. Entrevistas estão fora de cogitação. O site da maior
estrela do rock brasileiro está às moscas. O último post completou três
anos. Circular por São Paulo? Ano passado, ela foi vista na abertura da
exposição Velocity vs viscosity, de Antônio Lee, o filho caçula. E só.
Se o mundo real não atrai Rita, ela se joga no universo virtual,
para delírio dos fãs. Sua página no Facebook beira 1,8 milhão de
seguidores. No Instagram (Litaree_Real), são quase 52 mil. Ali, a
roqueira mais famosa do Brasil prefere postar intervenções em fotos de
Fernanda Montenegro, Dercy Gonçalves, David Bowie e Carmen Miranda.
Afinal
de contas, por onde anda Rita? As opiniões de amigos e antigos
parceiros divergem, aumentando a curiosidade em torno do mito. “Já, já
ela volta a fazer shows”, afirma Manoel Poladian, que calcula ter
empresariado cerca de 1,5 mil espetáculos de Rita e do marido, Roberto
de Carvalho. Ele se refere a turnês no Brasil, Estados Unidos e na
Europa.
Produtor de hits da cantora, Guto Graça Mello garante:
“Ela não tem mais o desejo. Desistiu”. Entre outros sucessos, Guto
produziu os discos que traziam Chega mais e Lança-perfume, clássicos do
pop nacional. “Tenho uma saudade imensa de trabalhar com ela. Do bom
humor que é só ela tem”, lamenta.
Guto não é o único parceiro que
lamenta a ausência da estrela. Moacyr Franco conta que tem outra música
para Rita. “A canção, com abordagem do que estamos vivendo, está pronta
para ela ouvir”, afirma o compositor de Tudo vira bosta, outro hit da
ex-Mutante.
Produtor do LP Atrás do porto tem uma cidade (1974),
Marco Mazzola não esconde o desejo de revê-la. “Claro que dá sempre
vontade de encontrar quem foi importante em nossa vida”, diz. Quando
lançou sua autobiografia (Ouvindo estrelas), Mazzola pediu depoimentos
de artistas que contribuíram para sua carreira. Rita respondeu: “Já faz
tanto tempo daquele Menino bonito (uma das 10 faixas de Atrás do
porto...), meu primeiro trabalho de estúdio depois que fui expulsa dos
Mutantes. Um flop total. Mazzola pegou um rabo de foguete. Sua missão
era salvar a tripulação maluca de uma aterrissagem desastrosa no mundo
de uma lua que não existia. Outro dia, escutei o disco, depois de 35
anos, e até que não sofri muito, apesar de a rotação das músicas soar
como filme de terror. Menino bonito é uma boa música, mas confesso que a
gravação da Wanderléa deu um pau na minha”.
por
Helvécio Carlos